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Gato Pardo

Para quem não conhecia, saiam enquanto é tempo...Para quem já conheceu, puxem duma cadeira...Vem aí a versão 2.0...

Até sempre, gigante...

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Existem pessoas neste mundo que cruzam o nosso caminho de formas estranhas.

O meu caminho cruzou-se com o de Nicolau Breyner através do meu avô. Raros eram os fins de semana em que o meu avô não fazia questão de colocar um vinil no gira discos intitulado "Kiss me la bouche". Rock cómico, chamava-lhe ele.

Resumir o homem que foi Nicolau Breyner a um disco de 1981 é extremamente redutor. Mas foi aí que retive o nome que me esqueceria jamais.

Nicolau Breyner pertence a uma estirpe geracional de actores muito selectiva onde se faz acompanhar de Eunice Muñoz e Ruy de Carvalho. Monstros culturais de valor inestimável que Portugal não está de todo preparado para perder. Não existem por ora, substitutos à altura.

A Nicolau, todos devemos o facto de existir ficção televisiva em Portugal. Isso e existir uma nova geração de actores. Não haverá um que possa dizer que não se sentiu de alguma forma inspirado por este senhor.

O Alentejo perdeu um dos seus filhos mais amados. O país, um dos seus ícones. O mundo, um diamante que nunca chegou a conhecer devidamente.

Este conceito de multiusos actual é muito à frente...

Na visita de hoje ao supermercado e enquanto cuscava as compras da gaja da frente (sim, é uma espécie de fetiche...Como o marido dela tinha ar de quem podia terminar a minha existência ali mesmo no tapete rolante das compras, entretenho-me a observar a alface, a garrafa de vinho tinto rasca e as 4 bolinhas de mistura...), dou-me conta de uma expressão hoje em dia utilizada em centenas de produtos do nosso dia a dia...

Multiusos...

Eu não só sou do tempo em que os detergentes tinham brindes lá dentro para os putos (mostrando total desinteresse sobre o facto de muitos putos desatarem a comer o detergente à colherada na ânsia de chegarem ao brinde mais depressa) como sou do tempo em que um determinado produto tinha apenas uma função...

O detergente para lavar a roupa à mão, por muito chocante que isto possa ser para vocês, servia unicamente para lavar a roupa...E ainda por cima, à mão...O TV Rural, servia para nos chatear os cornos porque na nossa tenra idade a última coisa que queríamos descobrir era que as nossas amadas batatas fritas eram na verdade um tubérculo (daí que na minha escola havia um grupo de verdadeiros amantes de batatas fritas apelidados de tuberculosos...) que era cultivado na terra...Ou que as garrafas verdes de Sonasol, serviam unicamente para lavar a loiça e não eram de forma alguma, versões de litro de 7Up...

Hoje em dia, não...Parece que a expressão multiusos difundiu-se por toda uma panóplia de produtos o que leva muitos consumidores a questionarem-se sobre a real utilização que devem dar aos mesmos...Vejamos alguns exemplos...

- Luvas multiusos...Bem, da última vez que eu vi, as luvas serviam para um tipo enfiar as ditas nas mãos...Com a evolução da humanidade e o poderio financeiro da população em baixo, suponho que a expressão multiusos se deve ao preço excessivo dos preservativos hoje em dia, o que leva os rapazolas a considerar as luvas uma alternativa mais barata às caixas de 12 unidades de preservas...

- Detergentes multiusos...Servem para lavar a loiça, o chão, o tecto, o cão, a patareca e se um gajo for imaginativo, até deve dar para fazer uma boa sangria. Tirando a parte da espuma, ninguém deve dar pela diferença.

- Cadeiras multiusos. Antigamente, estas apenas tinham uma função (que era um gajo sentar lá a peida). Mas com o avançar dos anos, ganharam toda uma nova panóplia de utilidades como armas de arremesso em processos de divórcio ou uma boa alternativa sexual ao quarto (nunca se sabe quando a fome aperta e se tem o jantar ao lume. Convém ficar por perto da cozinha).

- Maquilhagem multiusos...Imagino que sejam eyeliners com a capacidade de disfarçar riscos no carro. Sim, como naquela noite em que apanhaste uma cadela de tal ordem que não te recordavas dos últimos 6 anos da tua vida e que deixaste a tua mulher de tal forma f*dida da vida que ela fez do teu carro uma obra do Dali com o conjunto de facas de cozinha que lhe ofereceste pelos anos.

- Desodorizantes multiusos. No meu tempo, um desodorizante era isso. Mas agora? Nãooooo.....São desodorizantes, cicatrizantes, bactericidas, fungicidas e o diabo a sete. A questão que se coloca é...a que raio é que aquela m*rda cheira? Soda cáustica? E há lá coisa mais sexy que um homem a tresandar a soda cáustica... Ai, querido...esse aroma a canos desentupidos deixa-me louca de todo...

- Caldos multiusos. Caldos multiusos??? Sim, realmente na minha juventude conhecia um fulano que dizia que caldos de galinha da Knorr batiam forte e feio. Só se for esse tipo de multiusos.

- Decapante líquido multiusos. Cara leitora, está farta do seu marido? Tem uma sogra que quer mandar sorrateiramente para a quinta das tabuletas? Vai a um daqueles jantares de ex-colegas de turma mas preferia estar sossegada em casa a esvair-se em sangue? Pertence a uma seita que quer ir ter com os marcianos e o cianeto está caro? Temos a sua solução...

- Termómetros de penetração multiusos. Não sei porquê mas a partir do momento em que é um termómetro de penetração, deixa imediatamente de ser multiusos...

 

Caso estejam a pensar, não. Não fiz uma investigação extensiva durante meses a fio para escrever este post. Isto não é Sexta às 9, porra.

Uma caixinha catita que permite pesquisar as entranhas dos últimos anos de posts. Muito útil, principalmente porque nem eu já me lembro de metade do que escrevi...

 

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